Do outro lado do morro, há uma cidade que desperta em mim uma estimulante curiosidade.
Atravesso o mato, passo o rio, subo o morro, desço o morro e lá estou.
Há carros, casas, muitas ruas, muita gente.
Há um clube! E essa tal de piscina, um buraco de água azul que nem azul é.
Sempre me perco.
Aqui, assustada, com o coração batendo no compasso de meu desespero, nada entendo.
Não sei por que me afasto da casa, do meu refúgio em meio à mata, do rio que num belo capricho formou uma sanga.
Esse impulso de ir àquela cidade já adentrou meu ser.
Naquele cantinho que ainda resta inteiro, vejo a mata que já mora também na casa.
Ah!
Foi assim que começou.
Agora sei.
segunda-feira, 29 de março de 2010
domingo, 28 de março de 2010
Talvez não morto, mas soterrado (ou começo a reconhecer)
Havia uma causa.
E havia uma casa.
Uma boa casa, grande e sólida, em meio ao verde.
Havia uma boa família, grande e sólida, abrigada na casa em meio à vida.
Havia.
Ainda vou lá, a casa não em nada mudou.
Mas agora, do outro lado do morro, há uma cidade que não reconheço.
É curioso, estimulante.
É assustador como o impulso de ir àquela cidade me toma de assalto.
Mais assustador é eu agir impulsivamente.
Do outro lado do morro, há uma cidade que desperta em mim uma estimulante curiosidade.
Não me reconheço.
Ou começo a reconhecer.
E havia uma casa.
Uma boa casa, grande e sólida, em meio ao verde.
Havia uma boa família, grande e sólida, abrigada na casa em meio à vida.
Havia.
Ainda vou lá, a casa não em nada mudou.
Mas agora, do outro lado do morro, há uma cidade que não reconheço.
É curioso, estimulante.
É assustador como o impulso de ir àquela cidade me toma de assalto.
Mais assustador é eu agir impulsivamente.
Do outro lado do morro, há uma cidade que desperta em mim uma estimulante curiosidade.
Não me reconheço.
Ou começo a reconhecer.
quarta-feira, 24 de março de 2010
Talvez não morto, mas soterrado (É impossível esquecer)
O que aqui se segue são escritos atemporais.
Mas não necessariamente.
Eu escrevo sem limitações. Sem limitações.
De coerência.
De racionalidade.
De emoções.
De sentimentos.
Que venha o que deve vir.
Eu diversas vezes soube teu nome, mas nunca me dei ao trabalho de anotá-lo, tamanha a certeza de que não o esqueceria.
Mas sempre esqueço.
E quando lembro, sei que é impossível esquecer.
Mas sempre esqueço e nunca anoto.
Sempre esqueço, somente o nome esqueço.
É impossível esquecer.
Havia em mim o medo da morte. Porque eu era boa em matar e não queria morrer, porque queria matar. E acaso eu morresse... Isso não importava; acaso eu morresse o que importava era os que eu deixaria de matar.
Havia uma causa.
E havia uma casa.
Uma boa casa, grande e sólida, em meio ao verde.
Havia uma boa família, grande e sólida, abrigada na casa em meio à vida.
Havia.
Nesta casa eu somente ocupava um pequeno espaço, menos destruído que o resto. Deixava a casa assim, destruída. a visão da destruição me era útil. Como esconderijo. Como alimento constante de minha memória. Esta casa tinha vida, em suas veias corria o sangue dos que tiveram ali o seu sangue derramado. E se estou aqui, e se somente eu fiquei, há o porquê.
Mas não necessariamente.
Eu escrevo sem limitações. Sem limitações.
De coerência.
De racionalidade.
De emoções.
De sentimentos.
Que venha o que deve vir.
Eu diversas vezes soube teu nome, mas nunca me dei ao trabalho de anotá-lo, tamanha a certeza de que não o esqueceria.
Mas sempre esqueço.
E quando lembro, sei que é impossível esquecer.
Mas sempre esqueço e nunca anoto.
Sempre esqueço, somente o nome esqueço.
É impossível esquecer.
Havia em mim o medo da morte. Porque eu era boa em matar e não queria morrer, porque queria matar. E acaso eu morresse... Isso não importava; acaso eu morresse o que importava era os que eu deixaria de matar.
Havia uma causa.
E havia uma casa.
Uma boa casa, grande e sólida, em meio ao verde.
Havia uma boa família, grande e sólida, abrigada na casa em meio à vida.
Havia.
Nesta casa eu somente ocupava um pequeno espaço, menos destruído que o resto. Deixava a casa assim, destruída. a visão da destruição me era útil. Como esconderijo. Como alimento constante de minha memória. Esta casa tinha vida, em suas veias corria o sangue dos que tiveram ali o seu sangue derramado. E se estou aqui, e se somente eu fiquei, há o porquê.
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