quarta-feira, 24 de março de 2010

Talvez não morto, mas soterrado (É impossível esquecer)

O que aqui se segue são escritos atemporais.
Mas não necessariamente.

Eu escrevo sem limitações. Sem limitações.
De coerência.
De racionalidade.
De emoções.
De sentimentos.

Que venha o que deve vir.

Eu diversas vezes soube teu nome, mas nunca me dei ao trabalho de anotá-lo, tamanha a certeza de que não o esqueceria.
Mas sempre esqueço.
E quando lembro, sei que é impossível esquecer.
Mas sempre esqueço e nunca anoto.
Sempre esqueço, somente o nome esqueço.

É impossível esquecer.

Havia em mim o medo da morte. Porque eu era boa em matar e não queria morrer, porque queria matar. E acaso eu morresse... Isso não importava; acaso eu morresse o que importava era os que eu deixaria de matar.

Havia uma causa.
E havia uma casa.

Uma boa casa, grande e sólida, em meio ao verde.
Havia uma boa família, grande e sólida, abrigada na casa em meio à vida.
Havia.

Nesta casa eu somente ocupava um pequeno espaço, menos destruído que o resto. Deixava a casa assim, destruída. a visão da destruição me era útil. Como esconderijo. Como alimento constante de minha memória. Esta casa tinha vida, em suas veias corria o sangue dos que tiveram ali o seu sangue derramado. E se estou aqui, e se somente eu fiquei, há o porquê.

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